Carlos Boock

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Precisar a data não sei, na verdade eu tinha entre 7 e 8 anos, morava em um barco chamado Luzeiro VI, meu pai era enfermeiro e missionário adventista e atendia aos índios e ribeirinhos às margens do Rio Amazonas e afluentes, o blog que conta um posto dessa odisséia e: http://carlosboock.blogspot.com quando um norte-americano com seu fantástico telescópio apontou para a lua e aquilo me impressionou para sempre!

Mas paixão de verdade veio mais ou menos por acaso, ao estar lendo uma revista onde aparecia um observador deitado sobre uma porta e esta apoiada em cinco estacas a uns 3 metros do solo. Foi exatamente o que fiz! Assim me livrei do inconveniente de acordar meus pais quando eu me mexia sobre as telhas da casa… Bom, deixa eu confessar logo a travessura, coisa de menino levado mesmo. Quando eles adormeciam eu subia no muro e deste ao telhado e colocava um colchonete e sobre este eu deitava e ficava horas fitando a marcha das estrelas, junto tinha uma lata com uma vela dentro que usava para iluminar os mapas das constelações, muitas vezes adormecia sob o delicioso clima tropical de Santarém no Pará. Quando o galo cantava no poleiro proximo era hora de levantar e entrar na casa. Poucas vezes fui flagrado nessa aventura, mas com a porta que usei de uma igreja e as 5 estacas davam mais estabilidade e eu ficava confortável a 3 metros de altura do solo e tinha como teto um céu absurdamente lindo.

Meu pai acabou comprando um pequeno telescópio refletor que me foi muito útil nas observações de manchas solares e pela primeira vez tive a emoção de ver os satélites de Júpiter e os satélites e anéis de Saturno alem de algumas nebulosas, um ano depois ganhei um telescópio Refrator um pouco mais potente que me acompanhou até o final do ensino fundamental. Nesse período me correspondia com diversos astrônomos que muito contribuiram com a minha formação acadêmica.

O Meu fascínio aumentou quando entrei na faculdade e passei a cuidar de um potente telescópio refrator que estava sem uso por muuuuuuuuuitos anos… Era meu companheiro diário, acordava cedo para registrar o posicionamento das manchas solares 2 vezes ao dia, ao nascer do sol e ao pôr-do-sol e quando pernoitava no meu improvisado observatório seguia a marcha das estrelas e podia conferir alguns dos objetos do catálogo Messier,  sempre conferia a posição dos satélites de Júpiter e Saturno, me fascinava identificar algumas estrelas variáveis e adorava também localizar estrelas binárias além de identificar constelações e suas principais estrelas.

Nesse período estudei na Escola Municipal de Astrofísica ao lado do Planetário do Ibirapuera e tive aulas fantásticas. Me recordo de um professor de Mecânica Celeste que era cego! Aquilo tudo era muito mágico… tanto que semanalmente levava amigas ou namoradas para ter um encontro cósmico e me conhecer tinha que obrigatoriamente ouvir minha odisséia com as estrelas. Quando me formei, perdi a “posse” do telescópio e muitos anos depois, em visita a universidade voltei a encontrá-lo acondicionado na caixa tal qual eu o havia deixado na despedida. A magia cósmica tinha acabado. Por falar em magia, permitam-me tão somente contar sobre o meu encontro com um dos meusa grandes mestres, o padre Jorge Polman.

O padre Jorge Polman, era um entusiasta e tinha uma habilidade rara em ensinar, eu adquiri e lia suas apostilas com dedicação, eram meu texto base. Um dia resolvi fazer uma visita surpresa ao padre, eu morava em São Paulo e o padre em Recife. Ao chegar no convento onde ele tinha sua “fortaleza”, digo, sua escola de astronomia, seus telescópios e seus pupilos, decidi tentar adivinhar quem seria o padre entre as pessoas do lugar pela intuição. Eu não tinha a mínima idéia da figura do padre pois a única coisa que conhecia dele era a letra, nas suas cartas. Após alguns minutos eu vi alguem que tive a impressão de ser um “cientista” e me aproximei e perguntei: “Por acaso o senhor é o padre Jorge Polman?” ele parou, me olhou surpreso e retrucou: “Por acaso você  é o Carlos Boock?” Foi muito engraçado, aquele dia foi inesquecível conhecer o trabalho daquele homem das estrelas. Infelizmente o padre ja morreu, mas presto aqui minha homenagem ao que este homem representou para a astronomia no nordeste! Ele foi sem sombra de dúvidas um grande mestre!

Agora, 2 décadas depois, eis que decido voltar a alimentar a paixão da infância e a ajudar dezenas de jovens promissores a DESCOBRIR O SEU UNIVERSO. E por isso que aqui estou, voltando a escrever mais alguns capítulos desta história.

Quando cheguei em Vitória da Conquista em 1990 conheci o ambientalista André Cairo e partilhei desde então do MCMP (Movimento Contra a Morte Prematura) e participamos de vários eventos relacionados a Ecologia. Em seguida, como eu estudava astronomia e tomei conhecimento que André Cairo fazia o mesmo, resolvemos nos unir e criar um Clube de Astronomia.

Latitude:  14° 51´ 59,84´´ Sul

Longitude:  40° 49´ 12,92´´ Oeste

Vitória da Conquista, Brasil

Uma resposta

  1. Sou casado desde o ano de 1975 com a professora Dáia (professora de Inglês, Espanhol e Português, da Rede Municipal de Educação de Maceió. Tenho dois filhos, Francisco (nasceu em 1976) e Aline (nasceu em 1979). Francisco é Doutor em Física e professor da Universidade Federal de Alagoas na mesma área, casado com Elis; Aline é formada em Farmácia e Bioquímica, está cursando o Doutorado em química na área de Eletroquímica e é professora substituta de Farmacologia da Ufal, casada com Daniel.
    Sou apaixonado por poesia de cordel (poesia de cunho nordestino), bem como exerço como hobby a astronomia. Faço parte do CEAAL (Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas). Recentemente tenho me dedicado à construção de telescópio Newtoniano e a escrita de algumas poesias sobre astronomia e homenagens para familiares.

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